Sonho com a participação especial de Luara Lulua, João Carlos Villela e Leandro Chiaratti. Porque, bem, algumas vezes o meu subconsciente acha muito divertido colocar ozamiguë conhecido para fazer umas pontas nas minhas brisas representando os papéis mais esdrúxulos que ele é capaz de inventar.
...
Eu caminhava a esmo por um deserto muito seco e muito amarelo tendo apenas o Sol escaldante como companheiro. A areia sob meus pés era fina e fofa, fazendo com que meus pés se afundassem cansativamente a cada passada. Fazia calor, muito calor. Eu precisava desesperadamente de um copo de água.
- Olha, olha, olha, olha a água mineral! A água mineral! A água mineral! A água mineral do Candeal! Você vai ficar legal!
Levantei meus olhos em busca da voz que cantava animadamente aquela pseudo-música e avistei um homenzinho baixo e gordo de bigodes brancos. Seria uma miragem? Ele estava atrás de uma barraquinha com centenas de garrafas de água a sua volta. E, bem ao lado dele, ora vejam!, estava minha querida amiga Luara vestida de chapeuzinho vermelho e segurando uma cesta de doces caramelados.
- Lua! - eu disse, pegando uma garrafa de água de virando-a em um gole só - Que saudade! O que você está fazendo no meio do deserto num dia como esses?
- Estou vendendo doces! E água! Aliás, essa que você tomou custa dois reais.
E então o chão começou a tremer. As enormes dunas de areia movimentaram-se bruscamente e a ponta de algo parecido com uma pirâmide começou a surgir quase que debaixo dos meus pés.
- Xi, Carol. É melhor você chamar um táxi. Assistir ao nascimento de uma pirâmide pode causar sérios danos no cérebro - disse-me Lua, colocando seu capuz e sumindo no segundo seguinte, acompanhada logo em seguida pelo homenzinho de bigodes brancos.
Como diabos eu chamaria um táxi no meio de um deserto em trabalho de parto?
- Alguém pediu um táxi? - disse uma voz conhecida vinda de algum lugar acima da minha cabeça.
Em um tapete mágico voador cor-de-vinho estava um moço barbado trajando roupas orientais e um turbante branco cintilante.
- Oi Carol! Sobe logo, a bolsa já estourou, a pirâmide vai nascer a qualquer momento.
- João! Não sabia que você trabalhava como motorista de tapetes mágicos.
- Pois é. Nem eu.
Subi no tapete bem na hora em que a enorme pirâmide emergiu da areia com a força de mil megatons. Escapamos por pouco.
Quando as coisas se acalmaram, a versão taxista oriental do João me deixou em terra novamente e eu resolvi que seria uma excelente ideia explorar aquela recém-nascida pirâmide.
Entrei no monumento, agora vestindo roupas parecidas com as do Indiana Jones, e descobri que o interior da pirâmide era, na verdade, uma enorme campina iluminada pelo pôr-do-Sol onde uma manada de búfalos pastava sob o olhar atento - ou nem tão atento assim - de um moço vestindo botas de couro malhado e chapéu de caubói que se apoiava despreocupadamente em uma cerca de madeira.
- Chiaratti! - falei - Fazendo bico de pastor de búfalos?
- Pastores de búfalos são o que há de mais avançado em matéria de igrejas evangélicas.
Os búfalos não estavam pastando. Estavam rezando. Um deles, inclusive, gritava que seu colega estava possuído pelo demônio caprino e precisava ser exorcizado com três baforadas de erva-de-cheiro.
E então o Elvis Presley apareceu de trás de uma árvore dizendo que estava muito atrasado para o próximo show do século trinta e um e eu finalmente acordei.
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XD