Desembarco em Pequim e as tias do meu marido vêm nos buscar no aeroporto. Cidade grande, bonita, e em uma praça vejo uma grande torre quadrada parecida com as torres da Catedral de Notre Dame, com uma cruz ao pé e outra no topo. Mais adiante vejo outra dessas torres. E mais outra. Resolvo perguntar.
"Essas são torres em homenagem ao Nelson Mandela".
Ah, sim. Bom, faz sentido… Ou não? De qualquer forma, tenho coisas mais importantes a fazer, como assistir à sacada do prédio em frente ser projetada para fora e depois de volta a seu lugar, para logo em seguida os três meninos que se sentavam no sofá ali colocado se jogarem para baixo.
"Oh, céus, eles se mataram!"
"Não, fica tranqüila… Olha, eles caíram na sacada do apartamento abaixo."
Então todos os meninos em suas sacadas no prédio em frente resolvem se jogar em coreografia para o andar logo abaixo e um flashmob começa. E, como não poderia deixar de ser em qualquer flashmob que se preze, meu irmãozinho de coração Caio está participando.
"Mas o Caio não tinha ido para o Japão? Bom… O Japão é perto da China…"
Vou cumprimentar Caio, mas de repente uma confusão me impede de chegar perto dele. E um dos priminhos chineses loiros do John decide que foi ofendido de alguma forma pelo Caio e junta sua gangue de meninos de 8 anos para bater nele.
Não posso deixar meu irmãozinho apanhar, então vou atrás dos moleques - prestando atenção às placas da Avenida Shuan Shuan para saber voltar depois -, pego o priminho chinês loiro do John pelo topete e o ameaço. "Você é um moleque de oito anos de idade, recolha-se à sua insignificância ao invés de juntar essa pirralhada para dar uma surra no Caio!", ao que o loirinho se assusta e sai correndo para a barra da saia da mãe.
Tudo isso em frente a um cemitério. Volto pela Avenida Shuan Shuan para o restaurante onde a família do John me espera. Em meio ao almoço, uma de suas primas rouba meu prato. Mas com carinho, porque é assim que chineses são.
Aí meu despertador toca e eu acordo com a certeza de que meu subconsciente está mais do que ansioso para a viagem.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
terça-feira, 12 de junho de 2012
O Nascimento De Uma Pirâmide No Deserto Amarelo (ou A Manada De Búfalos Evangélicos Do Interior Da Pirâmide)
Sonho com a participação especial de Luara Lulua, João Carlos Villela e Leandro Chiaratti. Porque, bem, algumas vezes o meu subconsciente acha muito divertido colocar ozamiguë conhecido para fazer umas pontas nas minhas brisas representando os papéis mais esdrúxulos que ele é capaz de inventar.
...
Eu caminhava a esmo por um deserto muito seco e muito amarelo tendo apenas o Sol escaldante como companheiro. A areia sob meus pés era fina e fofa, fazendo com que meus pés se afundassem cansativamente a cada passada. Fazia calor, muito calor. Eu precisava desesperadamente de um copo de água.
- Olha, olha, olha, olha a água mineral! A água mineral! A água mineral! A água mineral do Candeal! Você vai ficar legal!
Levantei meus olhos em busca da voz que cantava animadamente aquela pseudo-música e avistei um homenzinho baixo e gordo de bigodes brancos. Seria uma miragem? Ele estava atrás de uma barraquinha com centenas de garrafas de água a sua volta. E, bem ao lado dele, ora vejam!, estava minha querida amiga Luara vestida de chapeuzinho vermelho e segurando uma cesta de doces caramelados.
- Lua! - eu disse, pegando uma garrafa de água de virando-a em um gole só - Que saudade! O que você está fazendo no meio do deserto num dia como esses?
- Estou vendendo doces! E água! Aliás, essa que você tomou custa dois reais.
E então o chão começou a tremer. As enormes dunas de areia movimentaram-se bruscamente e a ponta de algo parecido com uma pirâmide começou a surgir quase que debaixo dos meus pés.
- Xi, Carol. É melhor você chamar um táxi. Assistir ao nascimento de uma pirâmide pode causar sérios danos no cérebro - disse-me Lua, colocando seu capuz e sumindo no segundo seguinte, acompanhada logo em seguida pelo homenzinho de bigodes brancos.
Como diabos eu chamaria um táxi no meio de um deserto em trabalho de parto?
- Alguém pediu um táxi? - disse uma voz conhecida vinda de algum lugar acima da minha cabeça.
Em um tapete mágico voador cor-de-vinho estava um moço barbado trajando roupas orientais e um turbante branco cintilante.
- Oi Carol! Sobe logo, a bolsa já estourou, a pirâmide vai nascer a qualquer momento.
- João! Não sabia que você trabalhava como motorista de tapetes mágicos.
- Pois é. Nem eu.
Subi no tapete bem na hora em que a enorme pirâmide emergiu da areia com a força de mil megatons. Escapamos por pouco.
Quando as coisas se acalmaram, a versão taxista oriental do João me deixou em terra novamente e eu resolvi que seria uma excelente ideia explorar aquela recém-nascida pirâmide.
Entrei no monumento, agora vestindo roupas parecidas com as do Indiana Jones, e descobri que o interior da pirâmide era, na verdade, uma enorme campina iluminada pelo pôr-do-Sol onde uma manada de búfalos pastava sob o olhar atento - ou nem tão atento assim - de um moço vestindo botas de couro malhado e chapéu de caubói que se apoiava despreocupadamente em uma cerca de madeira.
- Chiaratti! - falei - Fazendo bico de pastor de búfalos?
- Pastores de búfalos são o que há de mais avançado em matéria de igrejas evangélicas.
Os búfalos não estavam pastando. Estavam rezando. Um deles, inclusive, gritava que seu colega estava possuído pelo demônio caprino e precisava ser exorcizado com três baforadas de erva-de-cheiro.
E então o Elvis Presley apareceu de trás de uma árvore dizendo que estava muito atrasado para o próximo show do século trinta e um e eu finalmente acordei.
...
XD
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Eu caminhava a esmo por um deserto muito seco e muito amarelo tendo apenas o Sol escaldante como companheiro. A areia sob meus pés era fina e fofa, fazendo com que meus pés se afundassem cansativamente a cada passada. Fazia calor, muito calor. Eu precisava desesperadamente de um copo de água.
- Olha, olha, olha, olha a água mineral! A água mineral! A água mineral! A água mineral do Candeal! Você vai ficar legal!
Levantei meus olhos em busca da voz que cantava animadamente aquela pseudo-música e avistei um homenzinho baixo e gordo de bigodes brancos. Seria uma miragem? Ele estava atrás de uma barraquinha com centenas de garrafas de água a sua volta. E, bem ao lado dele, ora vejam!, estava minha querida amiga Luara vestida de chapeuzinho vermelho e segurando uma cesta de doces caramelados.
- Lua! - eu disse, pegando uma garrafa de água de virando-a em um gole só - Que saudade! O que você está fazendo no meio do deserto num dia como esses?
- Estou vendendo doces! E água! Aliás, essa que você tomou custa dois reais.
E então o chão começou a tremer. As enormes dunas de areia movimentaram-se bruscamente e a ponta de algo parecido com uma pirâmide começou a surgir quase que debaixo dos meus pés.
- Xi, Carol. É melhor você chamar um táxi. Assistir ao nascimento de uma pirâmide pode causar sérios danos no cérebro - disse-me Lua, colocando seu capuz e sumindo no segundo seguinte, acompanhada logo em seguida pelo homenzinho de bigodes brancos.
Como diabos eu chamaria um táxi no meio de um deserto em trabalho de parto?
- Alguém pediu um táxi? - disse uma voz conhecida vinda de algum lugar acima da minha cabeça.
Em um tapete mágico voador cor-de-vinho estava um moço barbado trajando roupas orientais e um turbante branco cintilante.
- Oi Carol! Sobe logo, a bolsa já estourou, a pirâmide vai nascer a qualquer momento.
- João! Não sabia que você trabalhava como motorista de tapetes mágicos.
- Pois é. Nem eu.
Subi no tapete bem na hora em que a enorme pirâmide emergiu da areia com a força de mil megatons. Escapamos por pouco.
Quando as coisas se acalmaram, a versão taxista oriental do João me deixou em terra novamente e eu resolvi que seria uma excelente ideia explorar aquela recém-nascida pirâmide.
Entrei no monumento, agora vestindo roupas parecidas com as do Indiana Jones, e descobri que o interior da pirâmide era, na verdade, uma enorme campina iluminada pelo pôr-do-Sol onde uma manada de búfalos pastava sob o olhar atento - ou nem tão atento assim - de um moço vestindo botas de couro malhado e chapéu de caubói que se apoiava despreocupadamente em uma cerca de madeira.
- Chiaratti! - falei - Fazendo bico de pastor de búfalos?
- Pastores de búfalos são o que há de mais avançado em matéria de igrejas evangélicas.
Os búfalos não estavam pastando. Estavam rezando. Um deles, inclusive, gritava que seu colega estava possuído pelo demônio caprino e precisava ser exorcizado com três baforadas de erva-de-cheiro.
E então o Elvis Presley apareceu de trás de uma árvore dizendo que estava muito atrasado para o próximo show do século trinta e um e eu finalmente acordei.
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